A Praça do Ferreira, cartão-postal de Fortaleza e palco de décadas de história política e cultural cearense, está no centro de uma disputa que vai além da estética. O projeto de reforma apresentado pela Prefeitura de Fortaleza no último mês dividiu opiniões entre moradores do Centro, comerciantes da região e especialistas em patrimônio histórico.

O plano prevê a remoção de parte da arborização existente para ampliar o espaço de circulação de pedestres e instalar um novo sistema de iluminação. Para a Secretaria de Urbanismo, a mudança é necessária para modernizar a praça e torná-la mais acessível. Para os críticos, é um erro que vai comprometer o microclima local e descaracterizar um espaço tombado.

"A sombra das árvores é o que torna a praça suportável no verão cearense", disse Dona Maria das Graças, que vende artesanato no local há 22 anos. "Se tirarem as árvores, vão tirar o povo também."

O arquiteto Hélio Sampaio, professor da UFC, apresentou um parecer técnico contrário à remoção das árvores mais antigas. Segundo ele, algumas das figueiras têm mais de 60 anos e cumprem função ambiental insubstituível no contexto urbano do Centro.

A Prefeitura, por sua vez, argumenta que o projeto foi desenvolvido em parceria com especialistas e que a maioria das árvores será preservada. "Apenas as espécies que apresentam risco estrutural ou que comprometem a acessibilidade serão relocadas", afirmou o secretário de Urbanismo em nota.

Uma audiência pública está marcada para o próximo dia 20, quando a população poderá apresentar sugestões e críticas ao projeto. O Copo Fresco acompanhará o processo e publicará uma cobertura completa do evento.