Os números do mercado de trabalho no Ceará melhoraram no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE na semana passada. A taxa de desemprego no estado caiu para 9,8%, o menor índice desde 2014. No entanto, economistas alertam que o crescimento do emprego informal esconde fragilidades estruturais que podem comprometer a sustentabilidade dessa melhora.

Dos 180 mil postos de trabalho criados no período, cerca de 60% são informais — sem carteira assinada, sem direitos trabalhistas garantidos. "Estamos comemorando números que, na superfície, parecem positivos, mas que escondem uma realidade de precarização", avalia a economista Patrícia Nogueira, professora da UECE.

O setor de serviços foi o principal responsável pela geração de empregos, especialmente nas áreas de turismo e alimentação. A retomada do turismo no litoral cearense, após anos de dificuldades, contribuiu significativamente para os números.

Para o governo estadual, os dados refletem o resultado de políticas de atração de investimentos e qualificação profissional implementadas nos últimos anos. "O Ceará está no caminho certo", afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico.

Economistas independentes, porém, pedem cautela. A dependência do setor informal e a concentração dos novos empregos em atividades de baixa remuneração são fatores de risco que precisam ser endereçados por políticas públicas mais estruturais.